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6# Algumas ideias para derrotar argumentos de backlash

 

Backlash desaparece a longo prazo! Isto acontece não só porque os meios de comunicação começam a falar de outros assuntos, mas também porque, em geral, as pessoas têm uma capacidade de atenção limitada e incomodam-se ou indignam-se com outros assuntos presentes na agenda mediática. É raro que algo suscite uma reação negativa prolongada, tendo em conta todas as outras coisas que podem atrair a atenção das pessoas. Isto também se deve ao incentivo ao lucro dos meios de comunicação, onde manter uma notícia durante meses pode levar uma empresa a registar prejuízos.

As normas mudam como consequência da alteração das políticas! Quando se aprova uma política nova, as pessoas acabam por aceitá-la gradualmente porque se torna uma norma. Tomemos como exemplo as fronteiras abertas. A curto prazo, a implementação de fronteiras abertas causará uma retaliação massiva por parte de algum público, mas isso desaparece à medida que as pessoas se habituam a um mundo onde a única coisa de que se lembram é um mundo com fronteiras abertas.

Tudo o que é positivo tem uma reacção negativa inerente: Houve backlash quando se concedeu às mulheres o direito de voto, ou se concederam direitos a comunidades negras privadas dos mesmos, ou quando se legalizou o casamento gay, mas isso não é uma razão legítima para se opor a uma política. Este backlash irá acontecer sempre, mas isso não significa que o outro lado ganhou automaticamente

Há formas de justificar uma mudança de política! Muitos argumentos de backlash partem do princípio de que não há maneira de justificar uma política aos olhos do eleitorado, o que muitas vezes não é verdade! Por exemplo, muitos grupos de defesa LGBTQ em países como o Reino Unido justificam o casamento gay perante grupos conservadores através do apelo a valores libertários como “o Estado não deve interferir no que os cidadãos podem fazer na sua vida privada”. Muitas vezes, os danos do backlash são facilmente mitigados ao justificar publicamente as políticas

Não pode piorar! Muitas vezes, mesmo que haja backlash, o status quo já é tão insustentável que os danos causados são marginais. Será que um refugiado sírio recusaria a oportunidade de vir para os EUA só porque houve um aumento marginal no sentimento xenófobo? Isto não quer dizer que a xenofobia seja aceitável, mas sim que os danos causados por esse backlash são bastante marginais e relativamente insignificantes em comparação com o status quo

Este não é o ponto de viragem1! Existem várias razões para as pessoas não gostarem de uma política, seja por ideologia politico-partidária ou por inércia do status quo para, por exemplo, não mudarem em quem votam. Por outras palavras, mesmo que exista backlash, este pode não ser o tipping point que faça com que tudo piore significativamente

Backlash é não comparativo! É frequente que a questão apontada pela outra equipa exista no status quo (racismo ou homofobia) Sim, estas questões podem agravar-se, mas a comparativa não é entre «GOV = mundo racista» e «OPP = mundo igualitário». É necessário pesar melhor para completar este argumento!

O custo de oportunidade existente é simétrico? Muitas vezes, os argumentos de backlash são mais ou menos assim: «não devemos adotar a Política X (por exemplo, a política do GOV) porque a Política Y pode acontecer em vez disso, e Y é melhor do que X!» O problema é simples: se Y tenta resolver o mesmo problema que X, então o backlash vai acontecer de qualquer maneira.

Ninguém vai mudar! É frequentemente fácil argumentar que os racistas continuarão a ser racistas, os transfóbicos continuarão a ser transfóbicos e que poucas pessoas mudarão os seus sistemas de valores devido a uma nova política progressista.

Pesar os prós e os contras! Mesmo que exista backlash, tende a durar pouco tempo e a ter um efeito marginal nos resultados políticos/sociais – compara esses danos com os benefícios apresentados pelo teu caso!


Texto traduzido por Fred Oliveira em homenagem a Ryan Lafferty

Textp original disponível aqui.











1 Tipping point, em jargão

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