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17# - Sobre Comparativas

"A comparativa deste debate é..." "Na comparativa..." "Tens de ser mais comparativo..." Afinal, o que é uma comparativa ? É "comparar" duas ou mais coisas distintas e dizer qual das duas é melhor. Simples, certo? Sim, mas é um parte supreendentemente importante do debate. É muito fácil apresentar à adjudicação uma longa lista de coisas boas e coisas más sem nunca dizer quais delas deveriam ser mais valorizadas. Quando tratamos de coisas simples (p.e. vão morrer mais pessoas) é aceitável deixar a adjudicação fazerem-no por si mesmos, mas quanto mais complexos forem os argumentos que fazes, mais essencial é dizeres o que é importante e porquê. É também aqui que entra a impactação , isto é, traduzir um dano em coisas concretas do mundo real. Um exemplo aleatório: se me disseres que X vai resultar em desilusão com as instituições do Estado, isso soa vagamente mau, mas não tenho bem a certeza do quanto me importo. No entanto, se me disseres que, por e...
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16# - Em que é que um bom adjudicador acredita?

Recentemente, disse a uma amiga que acharia muito pouco persuasivo se uma equipa defendesse um caso através do argumento de que a homossexualidade é imoral. Ela ficou surpreendida com isto e disse-me que muitos debatedores da instituição dela gostavam bastante de ser adjudicados por mim, porque achavam que eu daria crédito a qualquer argumento, por mais estranho que fosse. É provavelmente verdade que sou mais recetivo a argumentos originais do que a média dos adjudicadores. Na verdade, muitas vezes tenho de resistir à tentação de premiar um argumento simplesmente por ser inovador e interessante. Mas gosto de pensar que não sou indiferente entre (por exemplo) um argumento bem explicado e internamente coerente baseado em princípios liberais, e um argumento igualmente bem explicado e coerente baseado em princípios fascistas. Então, o que se passa aqui? Grosso modo, os bons adjudicadores devem agir como observadores inteligentes, de mente aberta e neutros perante um argumento, disposto...

15# Comparativas marotas e onde habitam

NO GERAL A análise comparativa é a base de uma boa argumentação. Mas, às vezes, pontos genéricos simplesmente não funcionam — o que é especialmente verdade para as casas baixas dos debates BP, onde é preciso ter um pouco mais de cuidado com a análise comparativa com que se engaja. Às vezes, a melhor forma de ganhar rondas é pensar muito bem sobre qual é o contrafactual ou comparativa real, e construir bons argumentos sobre essa comparativa. Neste documento, vou apresentar alguns exemplos de como isto funciona e, em seguida, dar algumas dicas gerais sobre como gerar comparativas mais complexas e inovadoras. BOM USO DAS COMPARATIVAS Muitas vezes, os debates parecem bastante claros: podes antecipar o clash principal e podes prever, com bastante precisão, qual o material que será apresentado. Para tornar as coisas mais interessantes, no entanto, é útil investigar se existe uma melhor comparativa a ser trazida, e fazer uma análise comparativa com base nisso. Vamos analisar a...

14# Ética - Filosofia em Debate

Avisos Prévios: Estas problemáticas são complicadas, portanto, façam a vossa própria leitura e tenham uma opinião crítico em relação a tudo o que digo. Não se esqueçam que argumentos filosóficos não são adequados a todos os debates. Alguns debates podem ser puramente filosóficos, mas a vasta maioria dos debates que irão realizar na vossa carreira de debate não estarão desenhados para serem debates filosóficos. Daqui se segue que, na maioria das rondas, deve-se ter cautela na escolha de aplicação de argumento baseados em princípios/moralidade – afinal, estes argumentos tendem a possuir um ónus de prova bastante elevado e tendem a ter dificuldades em ganhar debates! TL;DR¹ - se estás a debater uma moção sobre, digamos, sanções, não escolham abrir um 1ª Governo questionando retoricamente se a nossa existência é real ou se vivemos numa simulação. A Moralidade funda-se na intuição – ou, pelo menos, argumentos filosóficos em rondas de debate provam-se melhor quando se mostra que eles se ali...

13# Notas sobre Refutação

Se alguma vez incluíres refutação mitigatória, ou seja, "eles afirmam X, mas na verdade não é tão forte quanto dizem, mas mesmo que continue a ser verdade", certifica-te de que fazes o weighing do teu material ofensivo contra esse argumento mitigado para provar por que razão vences esse argumento. De outra forma, a refutação mitigatória não te traz qualquer benefício real — não te coloca comparativamente a frente no debate. Seja generoso ao refutar afirmações, especialmente em primeiras casas — o facto de uma equipa ter feito um mau trabalho ao construir um argumento não significa que devas simplesmente descartar o argumento como sendo terrível; em vez disso, refuta o argumento como se ele tivesse sido melhor apresentado (ou "na sua melhor versão"). Especialmente na primeiras casas não há problema em sinalizar onde faltou análise/mecanização a uma equipa adversária, mas certifica-te de refutar também o argumento mais amplo, ou seja, como se este tivesse sido mecaniz...

12# Princípio do Poder do Estado

Premissa 1: O Estado restringe a nossa liberdade através das suas leis; em particular, os Estados roubam-nos ao tributar os nossos rendimentos sob ameaça de punição, e fazem cumprir as suas leis através da detenção e encarceramento contra a nossa vontade. Os benefícios fornecidos pelo Estado, como estradas ou hospitais, não justificam a violência do Estado, porque as ofertas benéficas só são legítimas se forem passíveis de recusa. Por exemplo, se eu cortar o teu relvado sem pedir autorização, não posso depois roubar vinte euros da tua carteira. Premissa 2: Não consentimos na restrição da nossa liberdade pelo Estado: a lotaria do nascimento significa que não podemos escolher o Estado em que nascemos e, embora possamos mudar-nos para outros Estados, não há forma de escapar ao controlo de um Estado (afinal, não existem grandes extensões de terra não reclamada). Premissa 3: Uma vez que o Estado restringe violentamente a nossa liberdade através das leis e não podemos consentir nessas ...

11# Gerar Argumentos

Visão Geral Este documento foca-se num objetivo específico: gerar conteúdos - ou seja, ter ideias de argumentos durante o prep time. Para conselhos sobre como estruturar ou formatar argumentos, ou sobre como torná-los mais persuasivos e difíceis de refutar, consulta outros documentos e apontamentos. Conselhos Básicos Por mais óbvio que pareça, em algum momento do prep time deves reservar um ou dois minutos para pensar simplesmente nos argumentos mais evidentes. O objetivo é construir uma lista de ideias muito óbvias, muito intuitivas e relativamente fáceis de provar. Aqui estão algumas perguntas que te podem ajudar a descobri-las: Se uma pessoa qualquer na rua ouvisse (e percebesse) esta moção, qual seria a sua primeira reação? Exemplo: Oposição em “Esta Casa tornaria obrigatória a representação significativa dos trabalhadores nos conselhos de administração de empresas cotadas em bolsa.” A pessoa comum reagiria provavelmente a dizer que os trabalhadores vão implesmente tomar más decisõ...