"A comparativa deste debate é..." "Na comparativa..." "Tens de ser mais comparativo..."
Afinal, o que é uma comparativa?
É "comparar" duas ou mais coisas distintas e dizer qual das duas é melhor.
Simples, certo? Sim, mas é um parte supreendentemente importante do debate.
É muito fácil apresentar à adjudicação uma longa lista de coisas boas e coisas más sem nunca dizer quais delas deveriam ser mais valorizadas. Quando tratamos de coisas simples (p.e. vão morrer mais pessoas) é aceitável deixar a adjudicação fazerem-no por si mesmos, mas quanto mais complexos forem os argumentos que fazes, mais essencial é dizeres o que é importante e porquê.
É também aqui que entra a impactação, isto é, traduzir um dano em coisas concretas do mundo real. Um exemplo aleatório: se me disseres que X vai resultar em desilusão com as instituições do Estado, isso soa vagamente mau, mas não tenho bem a certeza do quanto me importo. No entanto, se me disseres que, por estarem desiludidas com o Estado, as pessoas não vão reportar crimes à polícia, vão recorrer à justiça pelas próprias mãos, e que isto vai causar coisas más, já sei porque me devo importar com isso.
Uma comparativa consiste então em pegar nos impactos de dois pontos diferentes, ou de ambos os lados do debate, e dizer quais são mais importantes. Exemplo: "Mesmo que comprem a análise deles, o único dano que apresentam é que um pequeno número de pessoas vai ficar chateado devido a uma violação abstrata da sua autonomia corporal, comparem isso com os danos que nós trazemos de mortes em massa caso as pessoas não sejam vacinadas."
A importância de algo muda de acordo com a framework em que a avaliamos, ou seja, muda de debate para debate. Se me perguntares se carne é melhor que carro eu não sou capaz de responder (e vou achar que és maluco por fazeres uma pergunta sem sentido), mas se me disseres que estás a tentar fazer um hambúrger, a resposta é obvia. Assim, é por vezes necessário criar um contexto, ou framing, em vez de trabalhar sobre as nossas ideias base sobre quais são as coisas que são más. Por exemplo, se me conseguires convencer de que a coisa mais importante num debate é o impacto nas pessoas mais desfavorecidas (por razão A, B e C), então eu vou avaliar os argumentos apresentados no debate com base no efeito que eles têm nessas pessoas.
Outra forma na qual um ponto pode ser não comparativo é se for verdadeiro em ambos os lados do debate -- portanto irrelevante. Exemplo: "Eles dizes que a nossa medida vai coagir as pessoas através da economia, mas as pessoas já não são capazes de fazer escolhas totalmente livres no status quo, pelo que o ponto deles não é comparativo." A forma de tornar este ponto comparativo é explicar porque é que a coersão em um dos lados é pior, ou como afeta mais pessoas, etc...
Comparativas são essenciais em whips porque o objetivo é explicar à adjudicação porque é que um ponto X vence um ponto Y. No entanto, elas devem ser feitas em qualquer discurso. Durante a adjudicação, os adjudicadores terão de decidir o que é importante no debate, mas se tu o fizeres primeiro podes garantir que a mesa pensa que os teus argumentos são os mais importantes.
Tradução por Gonçalo Teixeira do texto On (the) Comparative de John Harper
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