Passo 2: Consolidar as Bases
Duas competências
básicas e fundamentais que podes e deves priorizar na tua prática
pessoal são a análise e a estrutura. Elas são fundamentais. Se
fizeres qualquer uma destas coisas mal, é pouco provável que tenhas
sucesso num torneio de debate internacional.
Análise
A análise persuasiva e relevante é a moeda da vitória no debate. Se ganhas jogos de futebol ao marcar mais golos do que a outra equipa, ganhas debates ao fazer uma análise melhor, mais persuasiva e mais relevante do que as outras equipas. De todas as competências que deves procurar praticar enquanto te preparas para um torneio de debate internacional, acho que esta é a mais importante.
O que significa analisar um argumento de forma persuasiva, de uma forma que vença um debate?
Em resumo, é explicar: a) porque é que o argumento é verdadeiro, b) porque é que o argumento é importante, e c) porque é que o argumento é mais importante do que os outros argumentos que estão a ser feitos no debate.
Praticar: a) por que razão o teu argumento é verdadeiro
Se vires os melhores oradores, notarás que muitos partilham um traço comum: perguntam frequentemente a si próprios "Porquê?" em voz alta durante os seus discursos. Para dar apenas um exemplo, vê o discurso de extensão da Oposição na final do EUDC de Viena. Tanto bom ‘Why’ing!
Isto é um tique muito útil. Força-te a explicar e a dar razões para as claims que estás a fazer. É também algo que é, na verdade, muito pouco natural – provavelmente passaste a maior parte da tua vida a expressar opiniões e ideias sem teres de as justificar ou explicar totalmente. Mas é exatamente isso que precisas de fazer nos debates. Se não o fizeres, outras equipas explicarão porque é que os teus argumentos estão errados ou não são importantes, e essas equipas vão vencer-te. Como não é natural, é algo que deves praticar. Por isso, ao fazeres os teus discursos de prática em casa, pergunta a ti próprio "Porquê?" em voz alta. Grava-te a fazer os teus discursos: explicas suficientemente o "Porquê" das tuas alegações serem verdadeiras?
Durante o teu prep time, também deves desafiar-te constantemente a ti e ao teu parceiro a explicar porque é que o que estão a dizer é verdade. E deves praticar este questionamento com tanta frequência que se torne um hábito. É uma competência que fica consolidada. Isto é, começas a fazê-lo sem sequer pensares nisso. Perguntar "Porquê?" durante um discurso de debate torna-se reflexivo, como apertar os atacadores ou alguma outra forma de memória muscular. É aí que queres chegar, e só lá chegas através de uma prática regular e repetida.
Praticar: b) por que razão o teu argumento é importante
O meu conselho é praticamente o mesmo que para a alínea a). Os oradores de sucesso também têm frequentemente o tique de perguntar a si próprios em voz alta a pergunta "E por que razão é isso tão importante?", que é habitualmente seguida pela explicação do impacto do argumento. Não explicar o impacto do teu argumento é uma armadilha comum, e é novamente algo que precisas de consolidar. Sem um impacto, o adjudicador fica a perguntar-se "Por que razão deveria importar-me com este argumento?". Certifica-te de que respondes sempre a essa pergunta.
Praticar: c) por que razão o teu argumento é mais importante do que os outros argumentos no debate
Os oradores de nível intermédio conseguem muitas vezes passar pelas etapas (a) e (b) ao explicar um argumento. A etapa (c) é onde a magia acontece. É frequentemente chamada de "framing” ou "fornecer uma métrica", mas isso é apenas jargão para "Eis porque é que os nossos argumentos são mais importantes do que os outros argumentos no debate".
Isto é tão importante para ganhar debates que eu normalmente colocava o meu enquadramento numa folha de papel separada das minhas etapas (a) e (b) da análise, porque sabia que provavelmente perderia o debate se não o dissesse.
Adam Hawksbee, metade da equipa vencedora do EUDC 2014 pela equipa Sheffield A, deu, uma vez, um excelente seminário sobre framing, que se destaca pela sua clareza e exemplos pertinentes. Recomendo que uma das tuas sessões de treino seja ver, tirar notas e refletir sobre este workshop.
Portanto, nos teus discursos de prática deves avaliar regularmente quão bem fazes as etapas (a), (b) e (c). É a competência mais básica e crucial no debate, e precisas de a consolidar.
Estrutura
Os melhores oradores têm muitas vezes uma estrutura imaculada nos seus discursos. Os juízes recordam melhor as complexidades e nuances de um discurso bem estruturado em comparação com um confuso e, talvez subconscientemente, são mais propensos a considerar o seu conteúdo persuasivo.
Dois tipos de estrutura são importantes: holística e interna.
Holisticamente, o teu discurso deve ter secções claras, por exemplo: 3 pontos gerais ou 2 pontos de clash ou uma introdução e 2 pontos claros, etc. Esta estrutura deve ser claramente enunciada no início do discurso e depois seguida.
Na estrutura interna, podes fornecer clareza extra ao dividir os teus temas/pontos mais amplos em subpartes. Por exemplo, se o teu primeiro ponto é provar o argumento X, podes dizer que vais dar 2 ou 3 razões distintas pelas quais X é verdadeiro. Os adjudicadores esperam então essa subdivisão e essas razões têm mais probabilidades de ficar retidas nas suas notas. Procurar uma boa estrutura holística e interna deve ser uma característica habitual nos teus discursos de prática. É outra coisa para consolidar e refletir quando estás a ver as gravações dos teus discursos.
Texto traduzido por Isabel Carqueja do original de Joe Mayes
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